Evangelho do Domingo: Sobriedade e Oração

Pela graça de Deus, iniciamos neste domingo um novo Ano litúrgico, que se abre naturalmente com o Advento, tempo de preparação para o Natal do Senhor. O Concilio Vaticano II, na Constituição sobre a Liturgia, afirma que a Igreja “no ciclo anual apresenta todo o mistério de Cristo, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor”. Deste modo, “com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes em todo o tempo, para que os fiéis, em contacto com eles, se encham de graça” (Sacrosanctum concilium,102). O Concílio insiste sobre o fato de que Cristo é o centro da liturgia, como o sol em volta do qual giram, semelhante aos planetas, a Bem-Aventurada Virgem Maria – a mais próxima – todos os mártires e os outros santos que “no céu cantam o louvor perfeito e intercedem por nós” (SC. 104).

Que os vossos corações não se tornem pesados…

No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida… Velai, pois, orando continuamente” (Lc 21, 34.36). Portanto, sobriedade e oração. E o apóstolo Paulo acrescenta o convite a “aumentar e abundar em caridade” entre nós e para com todos, para tornar firmes os nossos corações e irrepreensíveis na santidade (cf. 1 Tes 3, 12-13). No meio das perturbações do mundo, ou dos desertos da indiferença e do materialismo, os cristãos acolhem de Deus a salvação e testemunham-na com um modo de viver diverso, como uma cidade situada sobre um monte. “Naqueles dias — anuncia o profeta Jeremias — Jerusalém será tranquilizada, e será chamada Senhor-nossa-justiça” (33, 16). A comunidade dos crentes é sinal do amor de Deus, da sua justiça que está presente e ativa na nossa história mas que ainda não está plenamente realizada, e portanto deve ser sempre esperada, invocada e procurada com paciência e coragem.

O Senhor Jesus veio no passado, vem no presente e virá no futuro.

Ele abraça todas as dimensões do tempo, porque morreu e ressuscitou, é o “Vivente” e, enquanto partilha a nossa precariedade humana, permanece para sempre e oferece-nos a própria estabilidade de Deus. É “carne” como nós e “rocha” como Deus. Quem deseja a liberdade, a justiça e a paz pode encorajar-se e levantar a cabeça, porque em Cristo a libertação está próxima (cf. Lc 21, 28) – como lemos no Evangelho de hoje. Por conseguinte, podemos afirmar que Jesus Cristo não diz respeito só aos cristãos ou só aos crentes, mas a todos os homens, porque Ele, que é o centro da fé, também é o fundamento da esperança. E de esperança todos os seres humanos têm necessidade constantemente.

Fonte: parte do discurso do Papa Emérito Bento XVI por ocasião da Oração do Angelus. I Domingo do Advento. Domingo, 02 de dezembro de 2012.