Voltar ao estado de crianças

“Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado”. (Mt 11, 25-26).

Que haverá de mais querido para os filhos do que o pai? – Este nome suscita em nós ao mesmo tempo o amor, o afeto na oração, e também a esperança de obter o que vamos pedir. De fato, que pode Ele recusar à súplica dos seus filhos, quando já previamente lhes permitiu que fossem filhos seus? (CIC 2785)

A quem o Pai se revela?

Aos pequeninos: Peçamos um coração humilde e confiante que nos faça “voltar ao estado de crianças” (Mt 18, 3): porque é aos “pequeninos” que o Pai Se revela (Mt 11, 25), como dizia São João Cassiano:

É um estado “que se forma contemplando a Deus somente, com o ardor da caridade. Nele, a alma funde-se e abisma-se em santa dileção e trata com Deus como com o seu próprio Pai, muito familiarmente, numa ternura de piedade muito particular”.

Para quem está reservado o Reino?

O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para “trazer a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4, 18). Declara-os bem-aventurados, porque “é deles o Reino dos céus” (Mt 5, 3). Foi aos “pequenos” que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes. Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor ativo para com eles a condição da entrada no seu Reino. (CIC 544)

O mistério da vontade do Pai

Os evangelistas retiveram duas orações mais explícitas de Cristo durante o seu ministério. E ambas começam por uma ação de graças. Na primeira, Jesus louva o Pai, reconhece-O e bendi-Lo por ter escondido os mistérios do Reino aos que se julgavam sábios e os ter revelado aos “pequeninos” (os pobres das bem-aventuranças).

O seu estremecimento – “Sim Pai!” – revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao “beneplácito” do Pai, como um eco do “Fiat” da sua Mãe aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia. Toda a oração de Jesus está nesta adesão amorosa do seu coração de homem ao “mistério da vontade” do Pai. (CIC 2603)

Por fim, escutemos o amoroso chamado de Jesus aos pequeninos que se abrem para a vontade do Pai imitando o Filho de Deus:

Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30).