Submissão a Deus

“Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra.” (Jo 4,34)

Como podemos ter certeza de que estamos fazendo a vontade de Deus?

O Pai realiza visivelmente sua obra naquele que se deixa moldar por Ele. “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”  (Mt 12,50). A obra do Pai é nos tornar filhos no Filho. Quando o caminho de um vocacionado, mesmo que lentamente, dá frutos de conversão, de mudança interior, de crescimento humano, nos afetos e nas emoções, podemos ter certeza de que aquela pessoa está no lugar certo e está fazendo a vontade de Deus. Pelo contrário, quando observamos no vocacionado apenas fechamento em si mesmo, rebeldia, desobediência, murmurações, então ali habita o pecado e no pecado não pode estar a vontade de Deus.

O perigo da autonomia

Autonomia é a capacidade de governar-se pelos próprios meios e por uma série de regras estabelecidas pela própria pessoa, em si mesma a autonomia não seria um mal, no entanto, na vida comunitária, a autonomia se torna nociva pois, quem determina a vida dos consagrados são as normas e regras da fundação e não cada um dos membros. Quem cultiva a autonomia e vive em comunidade toma o governo de sua vida e deixa de fazer a vontade de Deus.

A humildade é o antídoto para a autonomia

“Quanto mais o homem se humilha, mais Deus se acerca, descendo até ele. Posto que o homem caiu por orgulho, (Deus) recorreu à humildade para o curar”. Santo Agostinho.

Um consagrado necessita acima de tudo do dom da humildade, o humilde sabe que é uma criatura, necessitada de Deus e dos irmãos. Disse o Senhor: “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado” (Lc 18,14). O consagrado autônomo torna-se senhor de sua decisões e ao mesmo tempo, escravo delas perdendo a liberdade dada por Deus. Quem se faz submisso a Deus torna-se livre, somente na liberdade o homem pode chegar ao conhecimento real de si.