Preciso mesmo de um formador pessoal?

Sim. Todos os membros de uma Nova Fundação, mesmo os consagrados, precisam de um formador pessoal.

É preciso reconhecer que precisamos de um formador pessoal, pois o formador é a mediação humana, usada pelo Senhor para educar seus filhos. O Deus-Trindade: é o Pai que molda no vocacionado a imagem do Filho Jesus, por meio da ação do Espírito Santo.

A mediação humana do formador

A intervenção divina serve-se da mediação humana. Deus gosta de chegar até a pessoa, portanto, por caminhos e por meio de instrumentos frágeis e limitados, inferiores ao objetivo prefixado e “inúteis”, como diz o mesmo Jesus. É a lógica da encarnação, em que uma pobre carne mortal é chamada a manifestar o mistério divino. É a lei divina da mediação humana.

Mediações comuns e “caseiras”

Por outro lado, Deus não deixa faltar a ninguém o necessário para a salvação e, no nosso caso para a realização do projeto vocacional.

Temos hoje jovens chamados a uma vocação acostumados com o “faça você mesmo” também no campo espiritual.  Jovens tão exigentes em suas pretensões espirituais que não conseguem ficar satisfeitos com as mediações comuns e “caseiras”, ou que chegam a exigir uma tal perfeição e competência de quem os dirige (um pouco como Naaman, o sírio, que ficou decepcionado com as propostas demasiadamente normais do profeta), a ponto de ir buscá-lo ninguém sabe onde.

Uma mediação imperfeita

O jovem deve entender bem cedo, ou de imediato, o que significa formação e eventualmente ser ajudado a se libertar daquelas pretensões ou expectativas. A mediação formativa é, por sua própria natureza, imperfeita. Por outro lado, é com instrumentos normais que Deus normalmente intervém.

É importante que o formador/formadora  não esqueça que é apenas um mediador e não se sobrecarregue com responsabilidades excessivas.

Um modelo para o formador

O modelo ou o padroeiro do formador certamente não pode ser Atlas, que acredita ter que carregar o mundo todo em seus ombros, mas João Batista, aquele que aponta e anuncia um Outro e não atrai os outros para si. Prepara os ânimos para que saibam reconhecer Aquele que há de chegar, não se substituindo a ele; esforça-se para sair de cena para que ele cresça no coração dos seus discípulos.

“Todos os dias, na universidade são-nos ministrados muitíssimos conteúdos. Falta-nos pessoas que nos ajudem a traduzir a doutrina em nossa experiência existencial.” O formador é o “cultivador direto” na vinha do Senhor.

Fonte: Texto base em CENCINE, Amedeu. Os Sentimentos do Filho: Edições Paulinas.