Onde começa a vida fraterna?

A vida fraterna começa quando recebemos o Batismo e a vida cristã, ali o mandamento novo começa a fazer parte de nossa vida: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amo” (Jo 15,12). Não é a comunidade que nos impõe o amor como regra, quem impõe o amor como regra é o próprio Cristo.

A vida comunitária favorece o amor. A cada dia surgem novos desafios para amar concretamente, o amor não se improvisa, a exigência da vida comunitária é dar tudo através do dia a dia, do desprendimento, dos remanejamentos, das contrariedades, o amor sempre vai exigir respostas inesperadas, isso favorecerá o amadurecimento do dom do amor fraterno. Onde cresce o amor, cresce a presença de Deus e sua ação. Quando todos, sem exceção, em uma vida comunitária, buscam  as respostas para seus desafios em Deus, no único Senhor, a Palavra de Deus se atualiza e se concretiza, Deus é capaz de ensinar a todos e unir todos no seu amor.

“Eis a aliança que, então, farei com a casa de Israel – oráculo do Senhor: Incutir-lhe-ei a minha lei; gravá-la-ei em seu coração. Serei o seu Deus e Israel será o meu povo. Então, ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: Aprende a conhecer o Senhor, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos – oráculo do Senhor -, pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados”. (Jr 31,33-34)

Dentro do homem existe uma rebeldia original que nega o bem. Existe uma luta entre o que queremos e o que devemos fazer, o que gostaríamos de dizer e o que tenho que dizer. Essa é nossa luta permanente. Para que a vida fraterna seja saudável, é necessário se abrir, abrir o coração para a pessoa certa, ou seja, uma autoridade constituída no carisma, e na hora certa, mas principalmente, abrir o coração diante de Deus. Diante do Santíssimo muitas tempestades são aquietadas.