O perigo de ser o que faço

A área psíquica está relacionada com o comportamento mental do ser humano, abrange a alma, o espírito e a mente. Uma pessoa pode, por tendências da personalidade, educacionais, culturais e formação familiar tender a dar a esta área uma super valorização. Todas as vezes que tendemos a somente um extremo de nossa afetividade corremos o risco do isolamento, da frustração e da resistência para as novidades de Deus. Em outras palavras as pessoas que se identificam somente com sua área psíquica: o que sei, o que faço, o que demonstro, correm o risco de resistir a Deus e a seu próprio chamado.

“Quem se identifica com o psíquico tem horror ao fracasso”

Como podemos saber se somos alguém que se identifica com a área psíquica? Quando o erro, o fracasso, o engano nos faz sofrer muito, nos rouba muita energia interior e ficamos remoendo por dias ou meses a vergonha ou a ira causada por uma falta cometida.

“A falsa ideia de perfeição causa um desgaste profundo”

Como sair da identificação psíquica? Devemos compreender e aceitar a nossa condição humana e decaída. Não somos totalmente maus, mas também não somos totalmente bons, para pecar não necessitamos fazer nenhum esforço, mas, as virtudes exigem de nós esforço e perseverança. A pessoa que se identifica basicamente com aquilo que faz, de alguma forma ignora esta verdade, alimenta uma falsa ideia de perfeição e acaba prejudicando o próprio crescimento espiritual e vocacional.

Persistindo com esta forma de viver e pensar, dentro da vida comunitária, surgirá cedo ou tarde a competição, a pretensão de ser melhor que os outros e a soberba. Esquecendo a grandeza do chamado de Deus, a tendência do vocacionado será o de garantir o lugar conquistado com seu próprio esforço e não ser livre para realizar, fazer e ser o que Deus quer.

“É preciso tomar a humanidade de Jesus para nos transformar”

Não somos menos amados por Deus porque erramos ou pecamos, Deus nos ama com gratuidade e não por nossos méritos, é preciso deixar a humanidade de Jesus nos transformar, abandonar-se, sair de si e identificar-se com Ele. Ele nos convencerá de que somos um dom de Deus, uma obra original de suas mãos, somos herdeiros de sua infinita misericórdia, não pelo que fazemos, mas pelo fato de termos sido chamados e escolhido por Ele.

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça.”  (Jo 15,16).