O Espírito de Jesus Cristo é poder da Misericórdia Divina

Hoje, no Evangelho, o Senhor sopra sobre os seus discípulos. Ele concede-lhes o seu Espírito, o Espírito Santo: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados…”. O Espírito de Jesus Cristo é poder de perdão. É poder da Divina Misericórdia. Concede a possibilidade de iniciar de novo sempre de novo. A amizade de Jesus Cristo é amizade d’Aquele que faz de nós pessoas que perdoam, d’Aquele que perdoa também a nós, nos alivia continuamente da nossa debilidade e precisamente assim, infunde em nós a consciência do dever interior de amar, do dever de corresponder à sua confiança com a nossa fidelidade.

Ele se deixou ferir

Ouvimos no trecho evangélico de hoje a narração do encontro do apóstolo Tomé com o Senhor ressuscitado: ao apóstolo é concedido que toque nas suas feridas para assim o reconhecer, reconhece-o, além da identidade humana do Jesus de Nazaré, na sua verdadeira e mais profunda identidade: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). O Senhor levou consigo na eternidade as suas feridas. Ele é um Deus ferido; deixou-se ferir por amor para conosco. As feridas são para nós o sinal de que Ele nos compreende e de que se deixa ferir pelo amor para conosco. Estas suas feridas como podemos nós tocá-las na história deste nosso tempo! De fato, Ele deixa-se ferir sempre de novo por nós. Que certeza da sua misericórdia e que conforto elas significam para nós! E que segurança nos dão sobre o que Ele é: “Meu Senhor e meu Deus!”. E como constituem para nós um dever de nos deixarmos por nossa vez por Ele!

As misericórdias de Deus acompanham-nos dia após dia. É suficiente que tenhamos o coração vigilante para podê-las sentir. Somos demasiado inclinados para sentir apenas a fadiga quotidiana que, como filhos de Adão, nos foi imposta. Mas se abrirmos o nosso coração, então podemos, mesmo imersos nela, ver também continuamente quanto Deus é bom conosco; como Ele pensa em nós nas pequenas coisas, ajudando-nos assim a alcançar as grandes.

Fonte: Parte da homilia do Papa Emérito Bento XVI por ocasião do Domingo da Divina Misericórdia. Domingo, 15 de Abril de 2007