O consolo da vida fraterna

O consolo da vida fraterna é saber animar o outro com a força vinda do Evangelho. Quando partilhamos os desafios e as dores com um irmão, a escuta atenta da parte do outro, a comunhão com nosso sofrimento e a oração são grandes consolos que somente podem ser encontrados entre os irmãos. Desta forma, os irmãos vivem o mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

Na comunidade é importantíssimo a partilha de tudo, da vida, dos dons, dos bens materiais, da própria história e dos feitos de Deus no decorrer da trajetória pessoal. Uma comunidade que não faz memória dos atos de Deus é sem alegria e sem amor. Falar sobre as bençãos que Deus realiza é ‘mandamento’ para que permaneça acesa a chama da vida fraterna.

Santo Agostinho, doutor em vida fraterna era manso, salvo em dois pontos nos quais era totalmente intransigente: Não ordenava nenhum sacerdote que não quisesse viver em comunidade e exigia a comunhão total de bens. Dizia: ‘Queres saber em que ponto te encontra em teu caminho espiritual? Terás adiantado o teu caminho espiritual na medida que preferes as coisas comuns às pessoais’.

Não sejam nossas partilhas, porém, para alimentar mágoas, rancores, remorsos e autocomiseração, mas sim para que nosso coração seja curado. A maturidade humana acontece em meio as dores e dificuldades e não quando tudo está bem, são as tenções que nos forjam como homens e mulheres livres.

Existem mulheres que passam por vários maridos e nunca dá certo, pois na verdade o problema não são os maridos mas o interior doente, carente e egoísta. A fraternidade tem poder para curar esta doença da alma. Se não formos capazes de nos abrir para a cura entre irmãos, onde Deus nos plantou, não será no mundo que nossas questões interiores serão solucionadas.  A salvação é a cura da carência e do egoísmo, é na vida fraterna que a cura acontece.