Não sou minha função

Quando recebemos uma educação familiar ou escolar onde o mais importante é o fazer, quando nossos educadores nos formaram para atingirmos os primeiros lugares, para sermos os melhores e os mais notáveis, de alguma forma nosso inconsciente registra que somente existe valor pessoal, através dos êxitos e vitórias. Esta formação recebida durante a infância, adolescência até na fase adulta de alguma forma vai refletir dentro da vida comunitária, onde o vocacionado somente vai sentir-se pertença ao carisma quando for: reconhecido, elogiado, confirmado e requisitado para aquela área especifica onde encontra maior rendimento. Isso acarreta grandes problemas de relacionamento, desencadeia crises e até mesmo leva a desistência da vocação.

“Dependência de elogios”

A vida comunitária por si só já acarreta tensões, muito mais intensa se torna quando nossa área humana está desequilibrada pelas dependências afetivas; o vocacionado deve ter somente um apoio: Jesus. “Foi Jesus quem nos chamou a dar a vida, somente Jesus pode nos dispensar desta missão”, mas, em vista de nossa insegurança muitas vezes nós mesmos nos dispensamos. Quando deveríamos buscar força em Jesus, buscamos nas autoridades, quando devemos escutar no silêncio o pensamento de Deus a nosso respeito, buscamos nos irmãos, enfim, a pessoa dependente busca Deus em lugar errado. É preciso aprender a depender somente Dele e querer agradar somente a Ele.

“Necessidade de ser confirmado”

Como podemos saber se temos a necessidade excessiva de confirmação? É muito simples, basta observar o comportamento e os sentimentos mais comuns que transitam em nosso mundo interior, tais como: esperamos um elogio a cada tarefa executada, nos culpamos diante do silêncio dos irmãos e das autoridades e os questionamentos. Perguntamos: por que será que ninguém disse nada? Será que não gostaram do que eu disse? Será que falei algo que desagradou alguém? Além disso, as acusações interiores. De fato, a falta de maturidade acarreta muitos sofrimentos e angústias inúteis.

“Incapacidade psiquica de enfrentar as adversidades”

Aquele que coloca em sua função seu principal valor torna-se incapaz de acolher as adversidades, os erros e as contrariedades. Uma pessoa imatura quando assume uma tarefa, uma coordenação, ‘desce aos infernos e sobe aos céus’ com a mesma facilidade, ou seja, vive como um dependente do sucesso, sem conseguir lidar com as derrotas. Aqui existem duas saídas estratégicas, ou cair na culpa, na acusação, na decepção ou encontrar um ‘bode expiatório’, um culpado pela derrota. Para este tipo de pessoa errar é algo muito grave e pode chegar até mesmo ao abandono da vocação para livrar-se das tensões intransponíveis. Todas estas situações são bem comuns em nossas comunidades, mas não é nada que a habilidade, paciência e presença de um formador que, com a oração e com a força do carisma não possa ajudar a resolver.