Não sou apenas talentos

Quem sou eu? Santa Terezinha respondeu esta pergunta com estas palavras: “Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”. Inevitavelmente, com maior ou menor intensidade, o ser humano acaba se identificando com aquilo que faz, desde os tempos remotos, o homem se realizou com seus feitos através da caça, da pesca, das construções ou até mesmo da farta prole; porém, aquele que permanece no fazer certamente acabará se deparando, com o passar dos anos, com seus próprios limites físicos e psíquicos que formarão uma barreira para a plena realização, por fim, este homem acabará na frustração e na infelicidade pois o fazer é uma atividade para este mundo, é finito e ingrato.

Como a identificação com o fazer acaba influenciando na vida Comunitária?

A autoidentificação com o fazer e com os talentos pode ser muito nociva pois, a pessoa se torna escrava de sua autoimagem em desequilíbrio, por isso, tem muita dificuldade com os remanejamentos, com as escalas e com as tarefas mais simples. Existem aqueles que se sentem humilhados, abandonados e rejeitados simplesmente por estarem fora de uma missão importante. Geralmente esta pessoa é atormentada pela necessidade de elogios, confirmações, consolações. A princípio, a busca da autoafirmação no fazer é comum e normal nos vocacionados, mas com o passar dos anos esta área precisa ser trazia à luz e trabalhada com seriedade na formação.

Como corrigir esta dificuldade?

Corrigir uma identidade mal formada e adaptada por anos com uma visão determinada de si é sempre um desafio, o vocacionado precisa ser sempre dócil e humilde, precisa trabalhar com a verdade, jamais dissimular um ‘está tudo bem’ quando por dentro existe tristeza, decepção e medo de ser deixado definitivamente de lado. Existem vocacionados que ‘parecem’ maduros e prontos mesmo sendo muito jovens, a atenção sobre estes deve ser redobrada, uma pequena fragilidade pessoal pode levar a crise de vocação; isso porque este assumiu um papel de maturidade sem sê-lo verdadeiramente.
A formação pessoal também pode ajudar levando o vocacionado a acolher a beleza de sua existência, o amor divino que o criou, e a graça da vocação em sua vida; isso já é o bastante para ser muito feliz.