Fidelidade ao Carisma

No seguimento de Cristo e no amor pela sua Pessoa, existem alguns pontos referentes ao crescimento da santidade na vida consagrada, que atualmente merecem ser colocados em particular evidência.

Antes de mais, exige-se a fidelidade ao carisma de fundação e sucessivo patrimônio espiritual de cada Instituto. Precisamente nessa fidelidade à inspiração dos fundadores e fundadoras, dom do Espírito Santo, se descobrem mais facilmente e se revivem com maior fervor os elementos essenciais da vida consagrada.

Na verdade, cada carisma tem, na sua origem, um tríplice encaminhamento:

Para o Pai

 Para o Pai, no desejo de procurar filialmente a sua vontade através de um processo contínuo de conversão, no qual a obediência é fonte de verdadeira liberdade, a castidade exprime a tensão de um coração insatisfeito com todo o amor finito, a pobreza alimenta aquela fome e sede de justiça que Deus prometeu saciar (cf. Mt 5,6). Nesta perspectiva, o carisma de cada Instituto impelirá a pessoa consagrada a ser toda de Deus, a falar com Deus ou de Deus, “para saborear como o Senhor é bom” (cf. Sal 34/33,9), em todas as situações.

Para o Filho

Os carismas de vida consagrada implicam também um encaminhamento para o Filho, com quem induzem a cultivar uma íntima e feliz comunhão de vida, na escola do seu serviço generoso a Deus e aos irmãos. Deste modo, “o olhar, progressivamente cristificado, aprende a separar-se da exterioridade, do turbilhão dos sentidos, isto é, de tudo aquilo que impede ao homem aquela suave disponibilidade a deixar-se agarrar pelo Espírito” (João Paulo II, Carta ap. Orientale lumen – 2 de Maio de 1995), e permite assim partir em missão com Cristo, trabalhando e sofrendo com Ele na difusão do seu Reino.

Para o Espírito Santo

Todo o carisma comporta, enfim, um encaminhamento para o Espírito Santo, enquanto dispõe a pessoa a deixar-se guiar e sustentar por Ele, tanto no próprio caminho espiritual como na vida de comunhão e na ação apostólica, para viver naquela atitude de serviço que deve inspirar toda a opção de um autêntico cristão.

Com efeito, é sempre esta tríplice relação que transparece em cada carisma de fundação, naturalmente com os traços específicos dos vários modelos de vida, precisamente pelo fato de predominar naquele “um profundo ardor do espírito de se configurar com Cristo, para testemunhar algum aspecto do seu mistério”Mutuae relationes -14 de Maio de 1978), aspecto esse que se há-de encarnar e desenvolver na mais genuína tradição do Instituto, segundo as Regras, as Constituições e os Estatutos.

Fonte: “Vita Consecrata“– exortação Apostólica Pós-Sinodal de São João Paulo II, CAPÍTULO III – Parágrafo: 37.

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