Evangelho do domingo: uma peregrinação para o “alto”.

O Evangelho de hoje é uma célebre parábola, que fala de dez virgens convidadas para uma festa de bodas, símbolo do Reino dos céus, da vida eterna (cf.Mt 25, 1-13). É uma imagem feliz, com a qual contudo Jesus ensina uma verdade que nos põe em questão; com efeito, daquelas dez virgens, cinco entram na festa porque, quando o esposo chega, têm óleo para acender as próprias lâmpadas; enquanto as outras cinco permanecem fora porque, insensatas, não tinham trazido óleo.

O que representa este “óleo”, indispensável para serem admitidas no banquete nupcial? Santo Agostinho (cf. Discursos 93, 4) e outros antigos autores vêem nisto um símbolo do amor, que não se pode comprar, mas que recebemos como dom, conservamos no íntimo e praticamos com as obras. A verdadeira sabedoria consiste em aproveitar a vida mortal para realizar obras de misericórdia, porque depois da morte isto já não será possível. Quando formos despertados para o juízo final, isto acontecerá com base no amor praticado na vida terrena (cf. Mt 25, 31-46). E este amor é dom de Cristo, efundido em nós pelo Espírito Santo. Quem crê em Deus-Amor tem em si uma esperança invencível, como uma lâmpada com a qual atravessar a noite para além da morte, e chegar à grande festa da vida.

O Senhor nos chama a ser esta virgem sábia, uma das virgens prudentes que foi ao encontro de Cristo com a lâmpada acesa. A antífona de ingresso da Missa em honra de Santa Catarina de Sena faz clara referência à parábola das dez virgens, cinco sábias e sensatas e cinco néscias, que São Mateus nos propõe numa página evangélica tão rica de advertências espirituais. O evangelista coloca esta parábola, juntamente com a dos talentos, imediatamente antes da majestosa descrição do juízo universal, quase para nos recordar o que verdadeiramente vale na nossa vida, o que devemos fazer para orientar a nossa existência para o encontro definitivo com o Senhor, meta última e comum dos homens de todos os tempos. O nosso itinerário “cá embaixo” é uma peregrinação para o “alto”.

Observava Santo Agostinho: “Nesta vida és um emigrante, a pátria está no alto; aqui és um hóspede, estás de passagem sobre esta terra e, então, canta e caminha”. Caminhar cantando significava para Agostinho amar o Senhor reconhecendo o Seu rosto no rosto dos nossos companheiros de viagem.

Fonte: Parte do discurso do Papa Emérito Bento XVI, durante a oração do Angelus, na Praça São Pedro em Roma. Domingo, 06 de Novembro de 2011.