Evangelho de domingo: O Sábado foi feito para o homem

O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia. É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (Mc 3,4). O sábado é o dia do Senhor, das misericórdias e da honra de Deus. “O Filho do Homem é senhor do sábado”.

Santo Agostinho explica que o sábado foi ordenado para os judeus, porém, para os cristãos, o domingo é o Dia do Senhor:

Ao contrário, não nos é mandado observar ao pé da letra o dia de sábado, no que se refere à suspensão da atividade corporal, como os judeus observam; observância literal que é tida por ridícula, a não ser que signifique também descanso espiritual. Entendemos, portanto, com razão, que todas essas coisas que nas Sagradas Escrituras nos são ditas figuradamente valem para inflamar o amor que temos ao repouso, visto que no Decálogo nos é proposto figuradamente apenas o preceito do descanso, que é amado em todas as partes e somente em Deus se encontra com certeza e santidade. O domingo foi preceituado não aos judeus, mas aos cristãos, em razão da ressurreição do Senhor; e desde esse momento ganhou solenidade, porque as almas de todos os santos descansam realmente antes da ressurreição dos corpos, porém não têm aquela atividade que vitaliza os corpos que lhes foram consignados. Essa atividade é o que significa o oitavo dia, que se confunde com o primeiro, já que não suspende mas glorifica esse descanso (…) Os santos patriarcas, cheios do espírito profético antes da ressurreição do Senhor, conheceram também esse sacramento do oitavo dia, que significa a ressurreição (…) Mas quando ocorreu a ressurreição no corpo do Senhor, para que antecedesse na Cabeça da Igreja o que o Corpo da mesma espera apenas para o final, já era possível começar a celebrar o oitavo dia, que é idêntico ao primeiro, isto é, o domingo. (Santo Agostinho, Carta 55: resposta às perguntas de Jenaro).

“Porém, segundo lemos, os discípulos de Cristo não apenas comeram nesse sábado, como também colheram as espigas [nesse mesmo dia], o que era ilícito, já que proibido pela tradição dos antigos. Portanto, quanto a isso, iremos responder oportunamente, dizendo que o Senhor queria que os seus discípulos fizessem nesse dia ambas as coisas: que colhessem as espigas e que se alimentassem; o primeiro, contra aqueles que querem repousar no sábado e, o segundo, contra aqueles que querem obrigar a jejuar no sábado. O Senhor deu assim a entender que o primeiro caso é de superstição, já que mudados os tempos; e que o segundo é livre em qualquer época”

Na mesma carta a Casulano, Santo Agostinho afirma que o domingo é mais santo que o sábado porque no sábado o corpo do Senhor descansou no sepulcro enquanto que no domingo ressuscitou dentre os mortos. (Santo Agostinho, Carta 55: resposta às perguntas de Jenaro).