Evangelho de domingo: Ele já não está distante

Quarenta dias depois da Ressurreição — segundo o Livro dos Atos dos Apóstolos — Jesus subiu ao Céu, ou seja, voltou para o Pai, pelo qual tinha sido enviado ao mundo. A Ascensão do Senhor marca o cumprimento da salvação iniciada com a Encarnação. Depois de ter instruído pela última vez os seus discípulos, Jesus sobe ao Céu (cf. Mc 16, 19). Contudo, Ele “não se separou da nossa condição”; com efeito, na sua humanidade, assumiu consigo os homens na intimidade do Pai e deste modo revelou o destino final da nossa peregrinação terrena. Assim como por nós desceu do céu, e por nós padeceu e morreu na cruz, também ressuscitou por nós e subiu a Deus, que por isso já não está distante. São Leão Magno explica que com este mistério “é proclamada não só a imortalidade da alma, mas também da carne. Com efeito, hoje, não só somos confirmados possuidores do paraíso, mas somos também, em Cristo, introduzidos nas alturas do céu” . Por isso os discípulos, quando viram o Mestre erguer-se da terra e elevar-se para o alto, não foram tomados pelo desânimo, como se poderia pensar, aliás, tiveram uma grande alegria e sentiram-se estimulados a proclamar a vitória de Cristo sobre a morte (cf. Mc 16, 20). E o Senhor ressuscitado agia neles, distribuindo a cada um um carisma próprio. Escreve ainda São Paulo: “Concedeu dons aos homens… A uns, Ele constituiu Apóstolos, a outros, Profetas, a outros, Evangelistas, Pastores… para a edificação do Corpo de Cristo… até que cheguemos… à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4, 8.11-13).

Queridos amigos, a Ascensão diz-nos que em Cristo a nossa humanidade é levada à altura de Deus; assim, todas as vezes que rezamos, a terra une-se ao Céu. E assim como o incenso queimado faz subir para o alto o seu fumo, também quando elevamos ao Senhor a nossa oração confiante em Cristo, ela atravessa o céu e alcança o próprio Deus e é por Ele ouvida e atendida. Na célebre obra de são João da Cruz, Subida ao Monte Carmelo, lemos que “para ver realizados os desejos do nosso coração, não há modo melhor do que a força da nossa oração no que mais agrada a Deus. Então, Ele não nos concederá só quanto lhe pedimos, isto é, a salvação, mas também quanto vê que é conveniente e bom para nós, mesmo se não lho pedimos”.

Supliquemos por fim a Virgem Maria, para que nos ajude a contemplar os bens celestes, que o Senhor nos promete, e a tornar-nos testemunhas cada vez mais credíveis da sua Ressurreição, da verdadeira Vida.

Fonte: Parte da Homilia so Papa Emérito Bento XVI por ocasião da oração do REGINA CÆLI . Domingo, 20 de Maio de 2012.