Consciência do chamado

O chamado de Deus é sinal de Seu amor incondicional e de Sua fidelidade para com os homens, por isso, a pessoa que consagra a sua vida a Deus se compromete primeiramente com o próprio Deus, depois esta aliança irá se concretizar através do carisma. É como diz o salmista:

“Quem, fora de vós, há para mim no céu? Nem na terra outra coisa desejo. Desfalece a minha carne e o meu coração, mas a rocha do meu coração e a minha herança é Deus para sempre”. (Sl 73 [72], 25-26.)

A fidelidade divina requer a resposta do homem, o Sim do consagrado somente pode ser dado por ele mesmo. O Senhor, por sua vez, confia através de seu chamamento uma missão, ao assumir a missão dada por Deus o consagrado torna-se um instrumento de Deus. Assim diz São João Paulo II:

“As pessoas consagradas serão missionárias, antes de mais, aprofundando continuamente a consciência de terem sido chamadas e escolhidas por Deus, para quem devem, por isso mesmo, orientar toda a sua vida e oferecer tudo o que são e possuem, libertando-se dos obstáculos que poderiam retardar a resposta total de amor. Desta forma, poderão tornar-se um verdadeiro sinal de Cristo no mundo. Também o seu estilo de vida deve fazer transparecer o ideal que professam, propondo-se como sinal vivo de Deus e como persuasiva pregação, ainda que muitas vezes silenciosa, do Evangelho.” (Vita Consagrata 25)

Comprometidos com o Senhor devemos pedir a Ele a graça da constância, da vigilância e da consciência da gravidade do nosso chamado, um consagrado não pode ser inconsciente, por outro lado, o Senhor nos conhece, Ele sabe que de alguma forma todos nós temos áreas inconscientes, por isso, se faz necessário o constante processo de conversão ao Senhor. O processo de conversão provoca o amadurecimento da pessoa em Deus, a maturidade, por sua vez, leva a intimidade:

“Digo a Deus: Senhor o meu bem sois vós; nenhum outro fora de vós …  Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice: vós sois o que tendes na mão a minha sorte”. (Sl 16 [15], 2. 5.)

O consagrado é responsável também pela santidade de sua comunidade, precisa ser verdadeiro, comprometido consigo mesmo, e guarda fiel de seus irmãos, não para que se percam, mas para que a exemplo do Bom Pastor, possa socorrê-las.