A prática da formação pessoal

Já argumentamos amplamente em postagens anteriores sobre a importância insubstituível da formação pessoal. Antropologicamente, os membros de uma comunidade formam o corpo comunitário e a formação pessoal é sua alma. Sem o ‘alimento’ da formação pessoal a pessoa fica ‘solta’, sem compreender claramente o seu caminho espiritual e humano e sem a certeza da condução de Deus. Ninguém pode se eximir de caminhar ao lado de um irmão para manter-se na sanidade e autenticidade do chamado.

Hoje estamos trazendo umas dicas importantes e prática de como deve acontecer o encontro de formação pessoal:

Primeiro passo:

Marcar com o formando. Quem marca o encontro para a formação pessoal é o formador, o local deve ser comunitário, que favoreça um diálogo privativo, mas que ao mesmo tempo seja aberto e acessível a todos. Em outras palavras não deve ser um local fechado, longe de todos, de modo que possa gerar suspeitas. Em todos os casos vale sempre prudência e o discernimento. Nunca deve ser nos quartos de dormir, em salas trancadas ou distantes da possibilidade dos olhares oportunos dos irmãos. A duração deste encontro para formação pessoal deve ser entre quarenta e cinco minutos até no máximo uma hora.

Segundo Passo

A Escuta.

“Um ouvido para o formando e o outro para Deus”

O formador deve escutar atentamente o que seu formando diz, deve perscrutar também o que ele aparenta, ou seja não somente o que ele não fala com os lábios, mas aquilo que ele demonstra com a expressão do rosto, com as lágrimas, com a entonação das palavras etc. A linguagem da pessoa não está apenas no que ele diz, mas no que ele quer dizer. O outro ouvido fica fixado somente em Deus, o que Deus quer dizer para o formando através do formador. É um momento bastante exigente para o formador. É válido dizer também que a abertura plena do coração do formando exige tempo, o formando deve ter plena confiança em seu formador.

Terceiro Passo

Reajustar. O conteúdo das partilhas são infinitos, haverá aqueles que não tem nada para dizer ao formador, outros carregados de fantasias, outros sentindo-se irados ou injustiçados. De qualquer forma o formador deve fazer a sua parte que é reajustar. Reajustar consiste em colocar o conteúdo da formação na luz do Evangelho, do autêntico Magistério da Igreja e do Carisma. O formador trás sempre um olhar novo para aquilo que o seu formando está lhe dizendo.

Quarto passo

Dar pistas. O formador deve ajudar seu formando a pensar e a fazer memória do motivo de sua vocação, deve questioná-lo e remetê-lo para dentro de si. Suas palavras devem ser como um ‘ponto de luz’ que se instala na escuridão das ideias fixas, no fechamento, na teimosia, no orgulho, na murmuração, no medo, no cansaço, etc…

O formador que mantém seu ouvido em Deus, vê e discerne aquilo que seu formando não tem condições de perceber, pelo menos, no nível da formação inicial; digo isso, pois, para um formando mais experimentado, muitas vezes, o formador repete o que Deus já estava tentando dizer a muito tempo.

Quinto Passo

Remeter para Deus. Diante daquilo que o vocacionado expõe; o formador não é senhor de todas as respostas, então, ele ‘remete para Deus’, ou seja, o formador deve levar seu formando a oração, a escuta e ao questionamento da vontade de Deus a seu respeito; existem situações para as quais somente Deus pode dar as respostas. No próximo encontro o formador já não começa do zero, mas retoma aquilo que ficou pendente, recolhe a escuta do formando e reajusta caso necessário a luz da Palavra de Deus.

Sexto Passo

Orar com imposição de mãos. Sim orar, muitas vezes este passo, que é o último acaba acontecendo no começo ou no meio, o formador deve manter-se atento pois o protagonista de toda a formação é o Espírito Santo, mas a via de regra da formação pessoal deve sempre encerrar com a oração do formador pelo seu formando, usando os dons e carismas, acolhendo a Palavra de Deus. É neste momento, que muitas vezes, Deus realiza, revela, ordena e organiza, é muito importante esta hora.